Casal novo, primeiros encontros. Ela propõe um jogo, para que se conheçam melhor: a
mesa da verdade.
- Vamos jogar a mesa da verdade? Nessa mesa, desse
boteco de cerveja barata, só será permitido dizer a verdade.
- Como funciona?
- Eu te faço uma pergunta. Tu só pode me responder
com a verdade. Não tem a opção de não responder ou de mentir. Depois tu me faz
uma pergunta. A mesma regra serve pra mim.
- Bah, isso parece difícil.
- Não, não te preocupa, eu não vou perguntar nada
de mais mesmo.
- Ah, ok. Eu começo... aaaannnhh, quantos
namorados tu já teve?
- Três namorados sérios...
- E os outros, não foram sérios?
- Os outros não foram namorados.
- Foram o que então?
- Qualquer coisa...
- Não entendi.
- Foram o que eles queriam ser... ou o que eu
queria que eles fossem.
- Ah...
- Mas isso não quer dizer que não foram sérios.
- Ok, tua vez...
- Tu acredita em Deus?
-
- Por que está me olhando com essa cara? É uma
pergunta mais fácil do que a que tu me fez.
-
- Qual o problema? Veja bem, para responder a tua
pergunta eu tive que definir o que é ser namorado numa época em que definições
gerais e grandes verdades não existem mais. Ou numa época em que o status de
relacionamento do facebook define quem está namorando ou não. Assim fica difícil dizer quantos
namorados eu tive, pois a minha definição de namorado pode não ser a mesma que
a tua. Por exemplo, o Pedro, a gente se relacionou por dois anos, eu fui em
todas as festas da família dele, ele fez o mesmo, planos de casamento e filhos,
mas ele não foi meu namorado. Foi antes meu contador, porque ficava controlando
de que forma eu deveria gastar meu dinheiro, o que eu deveria comprar, sempre
pensando em economizar para comprarmos a nossa casinha e viver no melhor estilo
american way of life.
- E tu não quer isso?
- Quero.
- Então, não entendo.
- Quero isso, mas não quero planejar meu futuro e
minha vida toda aos 22 anos. Eu tenho tanta coisa pra viver ainda. Meu contador
dizia que eu não podia passar a tarde com minhas amigas fazendo compras, ou não
teríamos como pagar aquele apartamento lindo que vimos na planta da
construtora. Mas eu adorava passar a tarde com as gurias indo de loja em loja,
era uma sensação quase tão boa quanto sexo.
- Uau.
- Eu disse quase.
- Mas ele foi teu namorado, se tu frequentava a
casa dele, conhecia toda a família, ficou dois anos com ele... Como ele não era
teu namorado?
- É que a função que ele cumpria na minha vida era
mais de gerente financeiro que de namorado.
- Mas...
- Além disso, com ele planejando a minha vida,
quando eu faria aquele tour pela Europa que eu quero há anos?
- Poderia fazer com ele.
- E quem leva o contador pra uma viagem à Europa?
- …
- Mas você não respondeu a pergunta que te fiz.
- Ah, eu não sei se acredito em Deus, eu nunca
pensei nisso, na verdade...
- Como assim nunca pensou nisso? Todo mundo tem um
Riobaldo dentro de si.
- Sei lá, sempre me disseram que ele existia, eu
nunca questionei se era verdade ou não...
- Então tu acredita?
- Sim... eu acho...
- Hmm...
- Se bem que tu me perguntando isso, assim, eu não
sei mais.
- Hhhhhmmmm...
- Poxa, achei que ia me perguntar algo como qual é
a minha comida favorita! E me aparece com essa...
- É, é que é algo que eu me pergunto. Bom, tua
vez.
- Ok, aproveitando o embalo, qual é tua comida
favorita?
- !! ...