sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Entre uma piscadela e outra o olho desvia para a tela do computador. O nome continua online no facebook. O peito inicia uma leve aflição. O cérebro: quem vai falar primeiro? O olho já não desvia, se mantém fixo naquela foto minúscula. A mão, indo em direção ao mouse, para no meio do caminho e o cérebro decide esperar mais um pouco. Após uma separação dramática e caótica, não há muito que ser dito. Há apenas que lamentar.
Cérebro traidor: mas e se estiver sofrendo tanto quanto eu? Melhor deixar a mão seguir seu curso e saber se está tudo bem. O que será que está pensando? Será que já se recuperou? Mas assim, tão rápido? Faz pouco mais de um mês. Ou pode ter outra pessoa. A mão para novamente com medo de descobrir a verdade. O cérebro avisa que mais uma atitude ridícula como a última será sinal de humilhação. Melhor esperar.
E se o outro cérebro estiver pensando a mesma coisa, a outra mão também hesitando, apenas para que o orgulho que está no peito não seja rompido? O ego ferido. Impossível saber o que se passa por lá. Por aqui uma confusão interna atordoa todos os sentidos e membros do corpo.
Ou pode não estar pensando em nada, os ouvidos apenas escutando as mesmas músicas do Vitor Ramil, enquanto estes são torturados pela canção mais linda que existe, e que era a nossa.
Atualizações no feed, nova postagem. Parece que a mão do outro lado da tela não está tão hesitante quanto esta, pois acabou de compartilhar mais uma daquelas bobagens. O olho desvia para ver a publicação. Alguma coisa sobre ir atrás da sua própria felicidade. O cérebro começa a caça ao significado da frase e acaba entrando num labirinto de perguntas sem respostas onde uma pergunta leva à outra até à exaustão mental. Será que foi pra mim? Mas, e se foi, quer dizer que eu sou a felicidade, ou que a felicidade já está em outro lugar? O peito cada vez mais aflito tem certeza que aquela mensagem tem um sentido. Tem outra pessoa! É claro que tem! E deve estar planejando o final de semana agora! Ou falaria algo! Afinal, combinamos de mantermos a amizade. Ontem mesmo trocamos torpedos sobre a pintura do apartamento que entregamos. Por que o silêncio agora?
O cérebro desiste da busca ao significado e o olho volta a fixar-se naquela foto, nome e bolinha verde capazes de fazer um corpo sadio adoecer.
A mão, num gesto impulsivo, abre a janela do chat. Os dedos digitam vorazmente e externalizam toda a aflição que está dentro do peito. O cérebro já trabalhou demais, está cansado e cedeu espaço. As palavras saem como um fluxo de consciência em forma de desabafo choro gritos lágrimas socos todos contidos até este momento. O cérebro, num último suspiro, ainda tenta evitar a mão de apertar enter. Não foi necessário. Antes disso, desaparece a bolinha verde.

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